Síndrome do Pânico
 
Transtorno de Pânico ou Síndrome do Pânico
 
O termo transtorno aqui é usado na tentativa de suavizar o impacto da palavra doença. Toda vez que nos referimos a um paciente utilizando a palavra “doença” ou “enfermidade” ativamos um núcleo de impotência que foi gerado no coletivo. Dizer que alguém está doente ou enfermo é como proferir uma sentença. Transtorno não tem significado exato, mas quando utilizado indica a existência de um conjunto de sintomas que podem ser reconhecidos e associados a um mecanismo.
 
A palavra síndrome significa um conjunto de sintomas provocados pelo mesmo mecanismo, uma pessoa pode ter um único episódio de pânico e não desenvolver transtorno ou síndrome, uma vez que nossa cultura é a maior produtora de ansiedade, basta olhar em torno: estamos vivendo momentos da revolução do yin(para dentro) e yang(para fora) somos levados para fora e para dentro a todo momento: a infância e adolescência estão em crise (entende-se crise quando uma psique individual ou coletiva chega ao ponto máximo de identificação com o mundo material, o seu aspecto superior providencia uma crise. Esse processo é semelhante ao de encher um balão de ar até explodir.de, fazendo surgir o desconforto ou a doença. Uma crise é sempre uma chamada ao mundo interno para a revisão de conceitos e escolhas e não deve ser encarada como algo negativo, mas como uma oportunidade de mudança), os valores estão em crise, a tecnologia está em crise e em contrapartida proliferam os cursos de acupuntura, as academias oferecem o yôga, a meditação e a religiosidade estão em moda, ou seja o Ocidente colocou seus olhos no Oriente!  Por isso um episódio de pânico num seqüestro de ônibus, num assalto no trânsito, num momento de perda importante, não quer dizer que a pessoa seja portadora de um transtorno de pânico, mas que ela foi tomada de assalto e encontra-se no limite, onde predomina inconscientemente o instinto de preservação.
 
A Síndrome ou Transtorno de Pânico vem acometendo pessoas em número cada vez maior, parece ser uma doença do mundo moderno embora o medo seja tão antigo quanto o homem, dessa crescente população sindrômica, nem as crianças escapam. Na psicoterapia trabalhando em consultório chamou-nos a atenção observar como crianças e adolescentes chegam para o trabalho terapêutico trazidos por seus familiares com queixas assim descritas: “Ele não quer sair de casa”. “Não quer ir para escola”. “Ela não consegue mais dormir sozinha em seu quarto”, “No dia do exame vestibular, saiu correndo da sala de aula e diz que não tentará mais”, e assim por diante. Ao recebê-los encontramos pessoas, caladas, apavoradas, encolhidas numa pequenez ilusória, encerrados em um medo paralisante e apartados da vida. Quanto aos adultos, em geral nos episódios de pânico, afastam-se de seus empregos, não conseguem permanecer em seus cargos, pois os ataque de pânico faz com que percam o discernimento, abandonem seus postos como se fugissem de uma manada de elefantes, para ganhar a porta da rua e voltar para seus lares. E com esses atos de fuga que não cabem na postura de um profissional, vão embora a confiança depositada e via de regra seus empregos.
 
 
Conceito e Quadro Clínico
 
O que seria então esse incontrolável ataque de pânico capaz de desarticular qualquer pessoa?
 
Excetuando-se a aproximação da morte real, o pânico é a passagem máxima para a situação consciente de inexistência, ou seja da morte do ego, é como se a pessoa perdesse a capacidade de comunicar-se consigo mesma, e um dos maiores fatores desencadeantes do stress físico, emocional e mental. Embora o pânico possa manifestar-se em vários níveis e intensidades o fato de o indivíduo apresentá-lo indica presença da angústia de dissipação do SELF (é o núcleo central da totalidade e a própria vida na forma humana, abrange tudo o que é consciente e inconsciente, uma realidade que está acima do ego e contém tudo o que não foi experimentado e o que poderá sê-lo no futuro. O SELF, ou Eu Superior está para o centro da totalidade, assim como o eu está para a consciência.).
 
Para discutirmos o Transtorno de Pânico é necessário nos reportarmos ao conceito de Yang,Yin por estarmos diante da luta dos opostos elaborada pelo Ego (núcleo que emerge do nosso inconsciente sendo desenvolvido ao longo de nossa existência, é o centro do campo da consciência e a parte da nossa personalidade com a qual estamos identificados, sendo o sujeito da consciência lida com tempo, espaço, fornece a identidade e a noção de continuidade à personalidade, através da seleção do material que pode ser eliminado pela psique ou não. Para um ego tornar-se adulto precisa desenvolver características tais como adequação, independência e flexibilidade) , pelo medo da sua dissolução, ou morte.
 
Em essência o Transtorno de Pânico são ataques recorrentes de grave ansiedade, imprevisíveis, irrestritos a qualquer situação ou circunstância em particular, vem subitamente e caracterizado por uma ansiedade quase contínua, que se inicia com um sentimento de terror inexplicável, e variam de pessoa para pessoa, mas se iniciam com palpitação súbita, dor no peito, a respiração se torna difícil, ocorrem náuseas, tremores, tensão muscular, sudorese, irregularidade nos batimentos cardíacos, problemas digestivos e cefaléia, tontura, uma sensação de afastamento da realidade como se fosse uma despersonalização, ou perda momentânea da identidade.
 
Não raro surge o medo de morrer e de enlouquecer. Sua freqüência é muito variável, a crise dura de dez a trinta minutos em média, mas podem ser mais prolongadas. É comum o indivíduo num ataque de pânico sentir um medo que vai crescendo e uma série de sintomas autonômicos, se ele estiver em um ambiente fechado, vai buscar uma saída rápida, se for um metrô, se estiver dirigindo seu carro, estiver num ônibus ou fila de banco, por exemplo, ele tenderá a evitar a situação subseqüentemente recusando-se a repeti-las. Por estar ligado ao medo de morrer o indivíduo pode desenvolver medo de ficar sozinho, de ir a lugares públicos onde se sentirá mais exposto, uma vez que ter um ataque de pânico, invariavelmente provoca o medo de ter outro. O paciente desenvolve medo e preocupação constante com as próximas crises, isso atrapalha seu sono, sua concentração aumentando a fadiga e ocasionando perda da produtividade, isso provoca um aumento da ansiedade, levando-o a uma maior irritabilidade e até depressão.
 
A cada nova crise o indivíduo tem a sensação de estar às portas da morte, num estado de desrealização ele vive fantasias de morte iminente, são levados ao Pronto Socorro e até serem atendidos, muitas vezes, a crise já passou, após os exames nada é encontrado, isso os deixam envergonhados diante de seus familiares que não compreendem a ausência de dados concretos nos exames, provocando situações muitas vezes, embaraçosas para o paciente. Se desprezado, como um fato de menor importância na saúde do indivíduo o Transtorno de Pânico ganha uma dimensão enorme a ponto de afetar, gravemente, a pessoa como um todo da seguinte forma:
 
No indivíduo pode produzir: ansiedade, insegurança, dependência, auto desvalorização, depressão, tensão, despersonalização, drogadicção (espaço artificial), introversão, sensação de estranheza para com as (pessoas, objetos, casa etc.), dentre outros sintomas.
 
Nas relações: a recusa constante de convites para sair, por mais simples que sejam pelo medo de passar mal, provoca solidão, perda do convívio social e afastamento do trabalho, muitas vezes gerando dependência financeira.
 
Na família: as crises afetam toda a família, o paciente em sua fragilidade depende dos familiares para coisas muito simples, como ir até a padaria comprar pão, ou freqüentar um consultório médico, pois muitas vezes não consegue ficar ou sair sozinho. Com o passar do tempo os familiares vão perdendo a paciência e passam a pressionar o paciente para superar ou controlar suas crises, o que obviamente ele não consegue, além dessa dependência, a “romaria” aos especialistas na tentativa de explicar os sintomas, afeta a rotina familiar e gera custos.
 
Para identificarmos o Transtorno de Pânico daremos um rol de sintomas psicossomáticos que aparecem no ataque de pânico, mas não excluindo a possibilidade de outros, lembrando que quatro ou mais dos seguintes sintomas são suficientes para caracterização da crise, e que se desenvolvem abruptamente  atingindo o pico de desconforto em mais ou menos dez minutos:
 
1.Palpitações, taquicardia, sentir o coração batendo forte.
2.Sudorese  espontânea no calor ou frio
3.Tremores ou sacudidas
4. Sensação de não conseguir respirar, falta de ar
5. Sensação de afogamento
6. Náusea ou desconforto abdominal
7. Tonturas, seguidas de sensação de desmaio e perda do controle de si
8. Despersonalização, desrealização
9. Pavor mental com medo de enlouquecer
10. Medo de morrer, de estar tendo um colapso cardíaco
11. Formigamento e ondas de calor e/ou frio
12. Intolerância a barulhos e insônia
13. Sensação de estar caindo em um abismo
14.Sentimento de desamparo
15.Olhar vago e distante
16.Tensão crônica após crises sucessivas
17.Depressão em algum grau
 
Um dos pilares do pensamento em psicossomática, segundo o médico Raimundo Pinheiro, autor do livro Medicina Psicossomática é de que “o homem é um ser invisível”, ele diz ainda na página 119 desse seu livro que :
 
A doença atinge o homem como um todo; portanto, pode gerar sintomas de natureza física, psicológica e social. O estresse contínuo e prolongado está relacionado, na grande maioria das vezes, senão em todas, com a quebra da harmonia e do equilíbrio, a qual leva a uma doença específica. A natureza da doença dependerá da configuração da personalidade de cada um. Assim estresses de igual natureza, em pessoas diferentes, serão canalizados por vias distintas gerando enfermidades variadas, seja em sua topografia ou fisiopatologia.
 
 
O Transtorno de Pânico é um sinal de alerta, uma espécie de alarma sonoro que toca incessantemente, para mostrar que a harmonia foi quebrada na psíque e nos elementos, como num pé de vento, estão desnorteados, desalinhados e que precisam de cuidados e proteção.
 
A Psicoterapia e também a Medicina Tradicional Chinesa, podem ajudar na elaboração dessa intensa crise dando o suporte à vida, organizando as questões do indivíduo que o levaram a romper com as indicações de seu mundo interior,  equilibrando os elementos, desobstruindo os canais para que a porção de Luz herdada possa dar continuidade à sua jornada e ao seu propósito único.
 
A Psicologia Clínica, assim como todas  as ciências também tem sua história e atravessa um período de reformulação e mudança assim como a história do homem. Um diagnóstico de Transtorno de Pânico, freqüentemente mal entendido, não deve ser encarado como um decreto de marginalização e isolamento do homem, ao contrário deve ser visto como um caminho para se  compreender a natureza da dissociação, da ruptura entre o ego consciente e o inconsciente podendo ser útil ao  crescimento psíquico de um indivíduo.
 
 
Clínica Ceres
 
 
“... toda parte tem em si a
 predisposição de unir-se ao TODO,
para que assim possa escapar
à sua própria imperfeição.”
 
LEONARDO DA VINCI

 

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